Sucesso, Carreira e Escolhas

21st mar 2016, author: EDUARDO_AMARAL

Meus filhos adolescentes têm uma preocupação que eu atribuo aos ambientes nos quais eles estão inseridos, ou seja, escola, grupos de amigos, etc. Trata-se do seguinte: como ter sucesso na vida? Como ser produtivo, próspero e rico, e assim aproveitar tudo o que a vida pode oferecer? Que profissões eles devem seguir para conquistar tudo isso mais rapidamente e até mais facilmente?

Percebo que jovens assim são os mais aliciados pela mídia – são perseguidores de sonhos e dos exemplos constantes das redes sociais. Há grupos que fazem apologia ao dinheiro abundante, exibem relógios caros, carros exclusivos, mansões, viagens exóticas, vertem nas taças garrafas de champanhe de 30 mil euros! Isso causa uma distorção incrível na mente dessas pessoas, construindo a imagem de uma realidade virtualmente inexistente.

Respondi o seguinte a eles: existem três formas, e apenas três, de se ficar rico – no mundo inteiro: a primeira é herdar uma fortuna, a segunda é ganhar em uma loteria e a terceira é por esforço próprio.

No primeiro caso, essa possibilidade está restrita a pouco mais de 1% da população mundial. E, infelizmente, vocês, filhos, por enquanto, não terão acesso a ela. Não sou um homem rico. No segundo caso, somando todos os jogos de azar ou loterias que podem deixar alguém milionário, isto significa 0,00004% da população global. O terceiro caso é o mais comum e acertado! E qual profissão seguir para conquistar mais rapidamente uma vida de sonhos?

Vamos ao topo da pirâmide tentar resolver a questão. Por todo o mundo, a lista de bilionários traz pouca diversidade: um máximo de 15, 16 cursos superiores diferentes. Um estudo do UBS Investment Bank apontou que 22% são engenheiros, 12% são administradores, 9% artistas, 8% economistas, 3% financistas, 2% cientistas, matemáticos e advogados e os outros 8% reúnem os demais cursos.

É conclusivo para você? Para mim não, principalmente porque o estudo também mostra que mais de 1/3 dos bilionários jamais sentaram em uma cadeira de universidade.

No Brasil, esse índice é ainda maior, beira os 50%! Ou seja, metade das maiores riquezas do país foi construída por pessoas que não tem um diploma de curso superior! Ainda no assunto educação, somente 15% dos bilionários globais estudaram nas universidades da mais alta reputação e apenas 14% deles têm MBA ou doutorado.

Essa última constatação deu um nó na cabeça dos meus filhos, além de ser um verdadeiro balde de água fria, pois a crença geral é de que a educação, a formação convencional, é segura, eficiente. Mas eu continuei explorando as possibilidades e lhes trouxe um alento.

Há 30 anos, conheci um homem extraordinário que nasceu na pobreza e sobreviveu a sérios infortúnios. Morador de rua, catador de lixo, encontrou no seu trabalho de subsistência a grande oportunidade que o transformou em milionário. Hoje, suas empresas de reciclagem faturam mais de R$ 25 milhões por ano.

Em todas as atividades, há exemplos desse tipo. A conclusão, somando todos os dados que dispomos, é que uma profissão específica não carrega os atributos gerais do sucesso ou da prosperidade. Você pode ser qualquer coisa: engenheiro, administrador, artista ou catador de papel. A diferença está em você, em quem você é, como pensa, como age, o que lhe motiva, em como você construirá sua carreira, como construirá seus conhecimentos, como acumulará competências, habilidades, como alargará suas experiências e vivências e se transformará em um profissional de sucesso ou em uma pessoa rica, próspera. Parece-me que há somente um caminho possível: o da obstinação, do foco, do objetivo perseguido persistentemente. Diga-me, você é obstinado?