Resiliência e Desempenho Corporativo

21st mar 2016, author: EDUARDO_AMARAL

Estamos em uma era profundamente marcada pela velocidade dos acontecimentos, das mudanças, de forma quase contínua. Os ciclos de transformação estão cada vez mais curtos. Tendências novas transformam empresas, hábitos corporativos e a forma como trabalhamos e fazemos negócios. Embora pareça uma conjuntura positiva, tudo isso é absolutamente estressante, pois nos coloca à prova permanentemente.

Ainda perseguindo as questões relativas às metas, objetivos operacionais e à hipermotivação da competição interna no ambiente corporativo, afirmo que a nova realidade impõe aos funcionários e colaboradores um cenário de frustração, de estresse, de vulnerabilidade. Mas não somente aos subordinados. Os gestores e empresários também sofrem de uma crescente ansiedade. Enfrentam a necessidade de serem mais rápidos e precisos em suas decisões, principalmente em períodos de competição anabolizada pelas crises. Esses cenários adversos são especialmente propensos a descortinar o que chamamos de resiliência.

A resiliência é uma expressão migrada da física para as ciências humanas – é a capacidade para enfrentar e superar adversidades, ou a capacidade de se recompor facilmente. Ou ainda, de se adaptar aos infortúnios ou às mudanças repentinas e incontornáveis.

Aliás, circunstâncias adversas produzem condições de se exercitar a criatividade, de transformar a realidade através de respostas mais produtivas e também inovadoras.

Mas a resiliência é supostamente um atributo da personalidade. Quando ativado, ele possibilita a criação de um senso de autoproteção, de autoconfiança, de renovação. Empresas que enfrentam crises deveriam investigar seus quadros humanos atrás de profissionais com esse perfil incomum. Encontrá-los pode ser a diferença entre ter sucesso ou fracasso em momentos difíceis.

Como encontrar essas pessoas?

Um estudo demandado pela Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, avaliou o desempenho de milhares de pessoas, de estudantes a vendedores, de militares a profissionais liberais, de jovens a idosos. O que se descobriu é fantástico – em todos estes contextos muito diferentes, uma característica emergiu como um importante indicador de sucesso e resiliência. E não era a inteligência emocional ou social, não era boa aparência, a saúde física, e também não foi QI, o quociente intelectual.

Um traço da personalidade de algumas pessoas, ligado à paixão pela realização, principalmente nos desafios de longo prazo. É uma característica positiva, não-cognitiva, ligada à uma motivação poderosa e à perseverança em esforços que promovam a superação em longos desafios. Assim, algumas pessoas observadas estavam propensas a continuar suas trajetórias, mesmo à beira de um fracasso ou ao longo de pequenos infortúnios.

Não há, em português, um termo que exemplifique ou sintetize esse traço psicológico. É uma descoberta tão recente que nem mesmo a ciência conseguiu determinar um método para despertá-lo nas pessoas.

Talvez o estopim esteja no próprio ambiente, nas condições desafiadoras, até adversas, que disparam o processo de resiliência. Talvez seja um talento nato, característico de um tipo especial de ser humano. O fato é que as empresas necessitarão cada vez mais de profissionais e gestores resilientes, moldados para a superação, para o enfrentamento.

Como você encara um longo desafio? Como você encara uma crise? Você é uma pessoa resiliente?