Prisão, Escravidão e Tempo de Sobra

21st mar 2016, author: EDUARDO_AMARAL

Você sabe o que é liberdade? Não é uma definição fácil. Mais ainda, não é uma prática fácil. A palavra vem do latim, ‘libertas’, que significa ‘condição de pessoa livre’. Com o passar do tempo, com a volatilidade das civilizações, com a superposição dos conceitos éticos e de direitos, a liberdade ganhou, pelo menos, 12 amplos significados, desde um “ideal extremado” à condição de “autonomia dentro de limites que faculta a lei”. O consenso prega ser “o estado daquilo que está livre, solto, sem qualquer empecilho tolhendo os seus movimentos ou ações”. É total autonomia e espontaneidade.

Você é uma pessoa livre? Você acha que é? Não vamos filosofar muito, apenas considere o seguinte: ao acordar amanhã pela manhã, você terá liberdade de fazer o que quiser? Pode decidir não ir trabalhar? Pode optar por fazer uma longa viagem, deixando para trás família, compromissos financeiros, emprego e demais obrigações?

Não existe meia liberdade. Ou ela é absoluta ou ela não existe. Portanto, somos todos prisioneiros de convenções, leis, paradigmas e da própria realidade que nos cerca. Vamos nos concentrar no ambiente corporativo para termos, ao menos, uma discussão prática.

O mundo empresarial inteiro concordou em estabelecer períodos produtivos fixos, com expedientes de 6 a 8 horas diárias. No Brasil, temos o famoso ‘horário comercial’, e neste período, grande parte das interações de negócios deve acontecer.

Como funcionário ou colaborador, você está preso a um horário fixo, e a atividades fixas, predeterminadas. No dia a dia, deve realizar várias tarefas ordinárias, comuns. Passa parte do tempo em conexões pessoais e virtuais, em atividades diversas, em pensamentos perdidos, períodos ‘fora do ar’, uma outra parte resolvendo as pequenas questões pessoais e também as fisiológicas, administrando conflitos, planejando as ações futuras. Como tudo isso está longe de preencher o tempo, fica compelido a criar outras atividades e sentir-se produtivo. O que é funcional, porque essas atividades, essas tarefas, tendem a preencher o tempo disponível. E quem diz isso não sou eu, mas o Professor Cyrill Parkinson, em um artigo na revista americana “The Economist”.

Para empresários e gestores, esse desperdício de tempo é um grande problema a ser resolvido, mas as convenções, regras, leis e hábitos criam um time coeso e forte que luta contra novos processos, métodos e inovações que poderiam significar quebra de paradigmas. Evolução.

Pense bem: você acredita mesmo que todas as pessoas do mundo necessitam de 8 horas diárias para suas funções, para suas produções, para chegar aos resultados? Não. Isso é um acordo coletivo, uma convenção paleolítica!

Se observarmos pelo viés da liberdade, esse é um processo além do aprisionamento, é um modelo de servidão moderna, um tipo de escravidão sem grilhões, sem correntes.

Portanto, há duas perspectivas que devem ser adotadas para avançarmos e inovarmos.

A primeira, é dos gestores e empresários. A adoção de um modelo gerencial que diferencie tarefa de trabalho eficaz. Se você tem alguma dúvida a respeito, assista ao meu vídeo “Os 80-20 de Pareto”. Há lá uma explicação a respeito.

A segunda, é dos funcionários e colaboradores, que devem observar, reconhecer e limitar suas tarefas ordinárias ao máximo, aumentando a qualidade do seu trabalho a partir do momento que entende sua importância. Esse é um processo libertador. Você conquista a verdadeira noção de suas capacidades, suas potencialidades e passa a administrar seu tempo e sua carreira.