Eu não conheço ninguém que não deseje uma vida feliz. Ou uma vida próspera. Ou uma vida emocionalmente bem resolvida, com família e amigos, em um círculo motivador e enriquecedor.

Desejar é, portanto, o primeiro nível do processo de realização. Através do desejo, almejamos algo, ambicionamos ter ou alcançar, cria-se uma tensão em direção a um fim, a um objetivo. O problema é que desejar não mobiliza, não movimenta, não constrói. É necessária uma forte inclinação. Uma postura interna que gere o despertar para o movimento, uma energia suficientemente firme que se volte ao seu objetivo. A este conjunto de forças internas dá-se o nome de determinação.

Mas, e a determinação, basta? Em todos os casos? Será? Em que momento ela é insuficiente?

Nos Estados Unidos e Europa, bilionários doam com frequência, alguns até dedicam suas fortunas inteiras. Isto lhes rende uma evolução espiritual? Ou a regra é exatamente o contrário? Pessoas evoluídas espiritualmente acabam tendo sucesso em algum momento da vida? Mas o que exatamente é sucesso?

Em minha vida me deparei com todo tipo de gente. Algumas espiritualizadas, verdadeiramente. Também conheci muita gente de sucesso. São autoconfiantes. Em geral, têm algum tipo de obstinação e possuem um talento especial.

São dois perfis imiscíveis, ou seja, não se misturam, mas que podem se superpor, sem dúvida. Com extraordinária raridade, encontrei pessoas assim. O fato é que criamos uma cultura em que o sucesso não pode se dissolver na espiritualidade e vice-versa.

Imagine a humanidade como um grande organismo. Somos um grande corpo sobrevivente. A forma distraída de como surgimos neste planeta, os desafios enfrentados logo no início da ocupação, com a falta de alimentos, as doenças, os inimigos naturais, tudo contradisse nossa insistência em crescer e nos multiplicar. Entre todos os fatores mais desfavoráveis ao nosso sucesso há um absolutamente surpreendente. A própria humanidade. A humanidade é autoimune.

A história de todos nós, seres humanos, é marcada por guerras sangrentas, por conquistas de territórios, por subjugo de cidades, regiões, de países inteiros, por civilizações que surgem e atingem seu esplendor e são substituídas por outras, sem deixar vestígios.
Isso não é só história. É presente. Está ocorrendo por todo o mundo, em cenários que vão do local ao continental, nas esferas econômicas e sociais.

Eu proponho pensarmos. Fora da caixa, dos limites pessoais, dos limites da história, dos limites da mesquinhez, dos limites do poder autocrático da classe política ególatra, dos limites genéticos. Vamos todos procurar uma cura para a humanidade.